TRADUTOR

domingo, 15 de maio de 2011

Os quatro doutores do oriente:João Crisóstomo (347-407)


João, apelidado de “boca de ouro” (Crisóstomo), nasceu em família espiritualmente dividida, seu pai de nome Segundo um oficial romano de alto escalão, sua mãe Antusa foi uma forte cristã. Seu pai morreu sendo ele ainda infante, sua mãe apenas com vinte anos, proveu-lhe de excelente educação inclusive treinamento em retórica. A principio pretendia ser advogado, mas, foi convencido de que Deus o havia chamado para a vida monástica. Nunca foi alguém que hesitou, e não o fez com seu chamado, partiu e foi viver por dois anos uma dura vida acética. Até que sofrendo de uma enfermidade foi a Antioquia e apresentou-se ao arcebispo Melécio, que o enviou imediatamente ao médico.

Ele serviu como diácono, e em seguida como presbítero em Antioquia, onde pregou por vários anos, demonstrando espantosa capacidade de trazer a Escritura à vida, tanto em sua riqueza teológica como em suas aplicações práticas. Foi isso por volta de 386 a 397.Indo depois para Constantinopla.

Sempre ansioso por determinar o sentido literal e opondo-se à alegoria, ele combina grande facilidade em discernir o sentido espiritual do texto escriturístico com igual habilidade para aplicação prática, visando orientar os que foram confiados ao seu cuidado.

Autor da obra de nome “Sobre o Sacerdócio” onde compara o pastor a um médico e as Escrituras a um remédio. Escreveu várias homilias sobre o evangelho de Mateus, Atos dos Apóstolos, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Efésios Felipenses, Colossenses , 1 Timóteo e Hebreus e um comentários sobre Gálatas

Na sua teologia ele ensina amparado pelos Epistolas de Paulo e Epistolas Pastorais, argumenta com firmeza que o evangelho tem absorvido eficazmente o veneno do sofrimento cristão. Sofrimento este, que é presente em todo o viver do cristão. Mas, não menospreza ele o sofrimento antes, valoriza o bem estar físico e o espiritual, em suas homilias sobre 1 Coríntios, ele equilibra com maestria ambos os lados da questão em sua discussão da magoa de Jó pela perda de seus filhos. “Jó era um pai e um pai amoroso; era apropriado que... a compaixão de sua natureza fosse mostrada. O autocontrole e a não demonstração genuína de compaixão e angústia pela perda de seus filhos poderiam ser facilmente interpretados como mera insensibilidade. Portanto ele expressa tanto sua afeição natural como a precisão de sua piedade, e em sua dor ele não foi destruído”.

Em seus últimos anos, João escreveu uma obra intitulada, “Sobre a previdência de Deus”, uma extensa exploração bíblica, teológica e devocional da vida do cristão fiel. Um emaranhado de fatores políticos, pessoais e religiosos concorreu para sua expulsão de Constantinopla por ordem do imperador Arcádio, em 404. João viveu os três anos seguintes, a caminho da morte (407), em condições extremamente severas, e isolado na pequena cidade de Cucusus, no alto das montanhas da Armênia.

Os quatro doutores do oriente:Basílio o Grande (330-370)


Basílio nasceu na província romana da Capadócia, vindo de família rica e cristã, seu pai de mesmo nome sendo presbítero e cristão fervoroso, sua mãe filha de um mártir, sua irmã Macrina e sua avó de mesmo nome, todos eles foram de forte influencia sobre a sua vida, destacando deles a sua irmã. Teve a oportunidade de estudar em várias cidades importantes, ele estudou seis anos em Atenas, onde conheceu e se tornou amigo de Gregório de Nazianzo, onde aprendeu a arte da retórica e na mesma se aprofundou. Foi professor de retórica na universidade de Cesaréia por pouco tempo. Foi neste tempo que teve um despertamento espiritual se desprendendo de sua vida mundana, procurando saber como deveria seguir a Cristo como um legítimo discípulo, mudando totalmente seu estilo de vida, tendo em vista o ideal apontado em Atos o qual as pessoas deixavam tudo e vendiam as suas propriedades e as dedicava a obra de Deus, entendendo com isso o viver das comunidades monásticas.

Basílio partiu para visitar as comunidades monásticas já estabelecidas na Síria, Palestina, Egito e Mesopotâmia. Ele ficou profundamente impressionado com o que encontrou. Tinha ele a visão de um discipulado selvagem e que nunca poderia ser domesticado. Ele diante da visão de desprendimento que teve dos bens matérias, e sua identificação com a dor alheia e a miséria humana.

Vendeu parte de sua herança, dissuadiu a muitos comerciantes que procuravam tirar vantagens da oportunidade que aparecia na Capadócia, durante um período de miséria, e reunindo fundo de outros abastados, ajudou com isso a evitar um sério desastre.

Ele Foi por um tempo bispo auxiliar em Cesaréia. Basílio fez empreendimento na divulgação dos ideais monásticos, na Capadócia, como elaborou um código para a regulação da vida comunitária; foi um forte defensor teológico da doutrina da trindade.

De suas obras ele tem o Hexaemeron, uma serie de nove sermões os quais foram ministrados durante o período da Quaresma, nos quais fez uma brilhante exposição da criação em Gênesis. Em sua obra como em toda a sua exposição ele foi totalmente contrario a prática da alegoria, e fez muito uso da analogia. Ele via as escrituras como escrita literal, onde estava falando sobre água era isso, e nada mais, ao passo que as alegorias tendiam a ver a Escritura Sagrada toda numa visão espiritualista e simbólica; Basílio via que a alegoria facilitava em muito a introdução de heresias. Em sua época havia os, maniqueus, marcionitas e valentinianos, que empregavam a alegoria em suas próprias interpretações distorcidas.

Basílio dispôs e eficazmente uma fundação de três plataformas para sua exegese: Primeiro, ele, insistia que a Escritura vem do Espírito Santo. Ela é divina é divinamente inspirada. Não há aspectos insignificantes do texto. Segundo, ele reitera que um texto sagrado deve ser examinado reverentemente, com uma mente bem preparada e um coração receptivo para a mensagem do próprio texto. Terceiro, ele rejeita a alegoria como estratégia para a hermenêutica apropriada. O sentido literal do texto proverá material mais do que suficiente para a contemplação, intuição e aplicação.

Basílio vê em Gênesis 1.26(Façamos o homem a nossa imagem em semelhança) a alusão a pessoa do Filho, nesta aplicação ele ilustra um princípio hermenêutico patrístico que é fundamental. O Velho Testamento deve ser lido e interpretado a luz do Novo Testamento.

sábado, 14 de maio de 2011

Os quatro doutores do oriente:Gregório de Nazianzo (329-390)


Gregório foi um pensador introvertido, que viveu dividido entre a sua paixão pela leitura da Bíblia, de bons livros (sendo ele poeta e teólogo), da arte e a sua chamada para a liderança eclesiástica. Foi auxiliar de seu Pai no sacerdócio em Nazianzo, isso depois de ter deixado o sacerdócio e voltado para a vida monástica. O imperador Teodósio o convocou para Constantinopla, onde serviu como bispo da igreja por dois anos, isso aconteceu depois da perda de quatro membros da sua família (seu irmão Cesário, sua irmã Gorgônia, seu pai Gregório o Ancião, sua mãe Nona) e seu amigo mais próximo (Basílio o Grande) pelo poder da morte.

Em sua estada em Constantinopla como bispo da sé, pregou cinco sermões (conhecidos como orações teologais) contra os representantes do arianismo de nome eunomianos e contra os macedônios. Suas orações foi uma defesa doutrina da santíssima trindade, conforme a visão ortodoxa.

Eunomianos: Grupo radical de arianos (seguidores dos pensamentos do presbítero Ário), no geral tinha a visão de que Jesus era uma criatura exaltada, e o diferente de Deus Pai.

Macedônios: Este grupo negava especificamente a deidade do Espírito Santo, recusando-se a reconhecer validade do credo estabelecido em Nicéia em 325, e expandido a Constantinopla em 381.

Os eunomianos assim como alguns outros teólogos de Constantinopla, gostavam de debaterem acerca dos dogmas da fé. Em sua Primeira Oração Teológica, ele concentra sua atenção em sobre como os eunomianos lêem as Escrituras e fazem teologia. Segundo ele a saúde espiritual e a argúcia hermenêutica não podem ser separadas. A verdade divina estará aberta somente aqueles para quem ela é de real interesse. Ela continuará fechada àqueles, “ que fazem dela uma questão de bisbilhotice prazenteira, como outra qualquer...

Os eunomianos tinham se afastado de muitas frentes. Primeiro, como vimos, falharam em interpretar a escritura ou falar de Deus de modo reverente.

Gregório assim como Atanásio sustentou que, naquelas passagens onde Jesus mostra limitações humanas era a sua natureza humana sendo demonstrada, e em outras que mostra o seu poder é a sua natureza divina sendo manifestada.

Em sua quinta Oração teológica, Gregório discute a deidade do Espírito Santo, doutrina questionada pelos macedônios. Ele entendeu que, os mesmos apenas mal interpretavam a Bíblia pelo fato de ela não mostrar de uma forma clara e expressiva a pessoa do Espírito Santo, ele ensinou com isso o principio hermenêutico da revelação progressiva. Ou seja, que Deus foi se revelando de forma gradual de acordo com a capacidade e maturidade tanto dos judeus como dos gentios de receberem a sua revelação.

Portanto fica assim: O Velho testamento proclamou abertamente o Pai e mais obscuramente, o Filho. O Novo Testamento manifestou o Filho e anunciou a divindade do Espírito. Agora o próprio Espírito habita entre nós e supre-nos com uma demonstração mais clara de si mesmo. Pois isto não foi seguro, quando a divindade do Pai não era ainda reconhecida abertamente para proclamar o Filho; tampouco quando o do Filho não fora ainda recebido, para sobrecarregar-nos adiante(se que posso usar uma expressão tão ousada) com o Espírito Santo.

Os quatro doutores do oriente:Atanásio (295 -373)

Em Alexandria Atanásio desenvolveu a sua teologia, em defesa da trindade e da divindade de Cristo. Teve como opositor Ário, que em sua visão subtraia a divindade de Cristo o classificando como “a mais elevada e exaltada de todas as criações de Deus”.

A sua postura em defesa da divindade de Cristo foi, contra as argumentações de Ário, de que a “essência divina é indivisível”. Ário para ser coerente, com essa afirmação teve que negar a

divindade de Cristo, usando passagens bíblicas dos evangelhos que focalizavam apenas a “humanidade de Cristo”, como a de que Jesus, não sabia nem o dia nem a hora em que seria a sua volta, “mas, somente o Pai”.Como também momentos de fome, sede, cansaço e sono descrito no evangelhos.

“Atanásio, porem, contra argumentou, afirmando que a essência de Deus em Jesus, estava no interior, ou seja, ele estava revestido de humanidade”, que quando Jesus fez lodo, colocou nos olhos do cego, ali estava o Jesus homem, mas, em acompanhamento a isto Ele o Jesus Deus, curava através do lodo. Atanásio dizia que como homem Jesus estendia a sua mão, mas, divinamente Ele curava.

Atanásio da, duas resposta a Ário a respeito da divindade de Cristo.

“Somente Deus pode salvar”, se Deus havia enviado Jesus para salvar a humanidade, ele então não poderia salva-la, pois, somente Deus tem este poder. Se, é verdade (conforme ensina Ário) que Jesus não era Deus na igualdade com o Pai.

“Cristo é adorado nas igrejas” somente Deus pode ser adorado, se Jesus recebia a adoração isto era blasfêmia. Então Ário e seus seguidores estavam a blasfemarem, pois eles mesmos adoravam a Cristo, se ele não é Deus, ou como eles diziam isso era apenas um título que lhe conferia. E eles então blasfemavam uma segunda vez por dizerem que Cristo não era Deus.

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